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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Deus em cima Deus em baixo



O pastor Mauro da igreja Reobote em Ilhéus na Bahia sempre quando lia o Salmo 139 dizia que esse era um clássico e que os clássicos são eternos, isso marcou muito minha trajetória como obreiro. Quero tomar como base o versículo 8 desse "clássico" para esse artigo que segue.
 No versículo 8 do salmo 139 o salmista diz "Se subo ao céu, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também.". No geral ele está dizendo que Deus pode encontra-lo em qualquer lugar, mas qualquer lugar mesmo, note que usa pontos extremos como céu e abismo para ilustrar a onipresença e onisciência de Deus, ele encontraria ou seria encontrado onde quer fosse. Nesse contexto podemos dizer que Deus é Deus em cima e Deus em baixo, é Deus em qualquer lugar, o problema é que geralmente deixamos para encontrar ou buscá-lo quase sempre quando estamos no abismo, Ele está no céu e no abismo, mas nós esperamos estar ou passar pelos nossos abismos pessoais, espirituais, matrimoniais e ministeriais para encontrar com Deus.
 Um grande exemplo disso está no paradoxo dos discípulos no Getsemani e no cenáculo, no Getsemani eles estavam perto do céu, o próprio dono e criador do céu estava com eles, e eles não puderam orar nem por uma hora e foram até repreendidos pelo mestre. Já no cenáculo se sentindo sós e rogando para que o Consolador viesse, eles oraram por dez dias ininterruptos. Percebeu? Quando estavam bem não oraram nem uma hora, já  quando estavam no abismo oraram por dez dias.
 Um pensador cristão dizia "Não espero tempos de crise para se aproximar de Deus", e eu trago para o contexto desse artigo e te digo -Não espere pelo abismo para encontar-se com Deus", quando estiver em seu "céu" lembra-te do seu criador, não espere uma crise para se prostar aos pés do Mestre. Se por acaso estiver passando por um momento de abismo esse texto também te dá esperança de que Ele 'lá está', clame por Ele nesse seu abismo é tenha certeza que Ele te ouvirá, estenderá a mão e te socorrerá. Mas se estiver no céu não menospreze o ato de estar em contato íntimo com seu Amado.





By Pb. Cláudio Oliveira 

domingo, 21 de dezembro de 2014

Simples como uma pomba

-Devemos fazer coisas como cheirar a bíblia em nome do crescimento do Reino? 
-Essas coisas glorificam a Deus?
Na sua história Israel sempre quis parecer com as nações vizinhas, sempre pegou modelos de povos pagãos para usar no culto a Deus. Seus reis e sacerdotes até mesmo chegaram a estimular o culto "diferenciado", porém Deus sempre levou profetas a eles para anunciar-lhes as verdades. O apóstolo Paulo numa de suas cartas nos ensinou a sermos simples como pomba e também prudentes como as serpentes, a serpente é bem sucedida pela sua eficácia no bote e não pela pele, aliás a sua pele serve para que ela se camufle e seu bote seja mais eficiente, nesse sentido a igreja tem ser conhecida pela eficácia na pregação do evangelho, os frutos, e não pelas esquisitices que aparecem por aí. 
Não me considero um conservador no que diz respeito a vivência do cristão. Gosto de futebol, praia é minha praia, gosto de boa musica, etc. Mas quanto a pregação do evangelho de Cristo acho que andam acontecendo exageros inúmeros no meio evangélico, não podemos esquecer que esse evangelho requer toda prudência, cuidado e reverência a quem o divulga. Eu, Cláudio, não imagino os mártires que foram lançados aos leões pelo evangelho de Cristo, por exemplo, cheirando a bíblia, ou fazendo piadas na frente de Cézar, com certeza eles não seriam lançados nas arenas, não seriam queimados em fogueiras e também não seriam perseguidos. Gosto muito de ler sobre os grandes avivamento que acontecem na história da igreja e todos eles tem principalmente duas coisas em comum: oração e pregação de arrependimento. Nunca houve um avivamento por piadas, ou imitar o ato de usar drogas, ou até mesmo movimentos musicais que levaram a igreja a um mover verdadeiro e genuíno do Espírito Santo.
Deixemos o entretenimento com a Globo amados, fomos chamados para representar um Reino que é sério. Cristo não mandou divertir o mundo ,mas sim advertir o mundo, afinal somos o sal e não o açúcar do mundo.

By PB. Cláudio Oliveira

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Tempo de ajuntar pedras

Já me peguei diversas vezes tentando equacionar a sabedoria de Salomão, mas é impossível. Esse camarada recebeu de Deus algo, que segundo a própria bíblia, ninguém mais teve, a excelência da capacidade humana em sabedoria. Sou declaradamente um apaixonado pelo livro de Cântico dos Cânticos, mas hoje quero escrever algo sobre um trecho do livro de Eclesiastes que é muito lido e pregado, o capitulo 3. É esse mesmo que fala do tempo pra tudo, em específico para hoje o trecho que fala do tempo de ajuntar e o tempo de espalhar pedras.
Acho lindo e revelador quando o rei Salomão escreve que "há tempo de ajuntar pedras". Ajuntar pedras é um trabalho muito dificultoso, requer muita força, é preciso estar disposto a lidar com pedras de vários tamanhos e formas, ainda há o agravante de que pedras podem cortar as mãos de quem a carrega. Mas que propósito há nesse ajuntar de pedras? Vejamos.
Gosto da disposição das palavras nesse texto e louvo a Deus pela sabedoria de Salomão em as colocar nesta ordem. Note que primeiro vem o tempo de ajuntar e depois o tempo de espalhar, mas parece um trabalho desnecessário, afinal as pedras já estavam espalhadas não havendo uma necessidade notoria de ajuntar num tempo pra espalhar em outro. Dar-se o trabalho de erguer pedras que estão separadas por vários locais diferentes para tornar a espalhar; dar várias e várias idas e voltas com pedras nas mãos.
Em nossa caminhada por essa vida por diversas vezes fazemos esforços que aos olhos de muitos parecem em vão, ou como no dito popular "trabalho de português". Mas será que realmente é?
Já vi muitos que desistiram de seus ministérios, de sua chamada, de seus filhos, de seus conceitos e etc, somente porque parece em vão o trabalho que dá ajuntar essas pedras. Quero te lembrar que mesmo sendo trabalhoso e ao mesmo tempo impossível, humanamente falando, para Davi derrotar Golias ele foi ao ribeiro e ajuntou pedras, e isso fez toda a diferença peleja. Uma das pedras que ele ajuntou no ribeiro serviu pra derrubar aquele gigante.
Espiritualmente falando, Abraão passou 49 anos ajuntando as promessas de Deus como pedras. Ninguém em sã consciência acreditaria nas pedras que ele juntou, mas aquelas pedras foram espalhadas depois de uma tal maneira que se tornaram mais do que a areia da praia e as estrelas do céu. Paulo passou anos ajuntando pedras em suas viagens missionárias, com naufrágios, apedrejamentos, açoites, varadas nas costas, prisões e etc. Mas suas pedras foram espalhadas por quase todo o mundo, hoje seus dircursos são discutidos em cursos de direito e seu legado teológico e de fé rompe barreiras, as pedras foram espalhadas.
Ajunte pedras não importando o peso, independente da quantidade e do tempo que leve para tal. Lembre-se que há um tempo determinado, não é a esmo, Deus tem o tempo cronometrado de ajuntar e também o de espalhar. Hoje você pode não compreender o motivo de ter que carregar essas pedras tão pesadas, mas no tempo de espalhar você ira olhar para os altos céus e dizer "Valeu a pena".

By Pb. Cláudio Oliveira

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A caverna de Adulão

                                                                                     
Mais que um lugar de refúgio, a caverna é um lugar de acolhimento e aprendizagem.
No primeiro livro de Samuel, capítulo 22, está registrado o momento da vida de Davi quando Saul o perseguia obrigando-o a esconder-se. O lugar escolhido foi a caverna chamada de Adulão. Quando ouviram essa notícia, os irmãos de Davi e toda a casa de seu pai desceram para ter com ele. Com ele se ajuntou todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens.
É preciso compreender que Davi sofria perseguição por puro ciúme. Nada fez que pudesse levar a Saul a preocupar-se, senão o fato de que Davi caiu na graça do povo, por uma seqüência de vitórias obtidas a partir da morte de Golias. É duro sofrer injustamente! Na cabeça de Davi certamente havia muita confusão, pois alguns anos antes fora ungido rei sobre Israel, e agora, a cada dia, a profecia ficava mais longe de cumprir-se.
Sentir tristeza por causa do momento difícil, atribulado, era natural e compreensível. Mas por que o crente sente-se deprimido, angustiado? Este estado é permitido ao filho de Deus ou não?
Para alguns, deprimir-se, sentir angustia, não pode ser de Deus. Para mim, angustiar-se é perfeitamente compreensível. A Caverna de Adulão teve um papel muito importante na vida de Davi. Foi um momento em que viveu num ambiente onde era permitido chorar.
Há ambientes onde não se pode angustiar-se. O choro é visto como uma fraqueza espiritual, e isto, na verdade é desumanizar-se. Para ser humano é necessário viver as etapas da vida, uma a uma, sem desconsiderá-las.
Deixamos de ser humanos quando adotamos comportamentos mascarados pela pseudo-espiritualidade, agindo como super-homens, que superam de forma automática qualquer dificuldade que surgir. Na caverna, Davi escuta sua própria voz, ouvindo os lamentos de seus companheiros, suas histórias e dificuldades de entender seus tropeços. Na caverna não havia lugar para pessoas como Elifaz, Zofar, e Bildade, que analisaram o problema vivido por Jó como fruto do seu pecado. Graças a Deus na caverna, todos os que ali se encontravam, podiam se compreender e nada cobrar pois eram todos humanos.
A caverna era o refúgio para quem precisava parar, pensar e tentar entender seus caminhos. Na caverna o líder não era um homem insensível, que nunca teve problemas em sua vida, perfeito em todas as suas atitudes. Ao contrário, Davi também tinha o seu problema. Estava aprendendo a compreender a dor das pessoas, a partir da sua própria dor. Também aprendia a valorizar cada pessoa que se ajuntava a ele. Passava a ver o potencial de cada um, suas virtudes e defeitos. Ali todos precisam de um milagre. Não havia profetas de plantão a ministrar milagres na vida dos outros.
Na caverna não havia como mentir pois todos estavam no mesmo barco e o "status quo" deixou de ser algo a ser perseguido. Agora é hora de pensar em sobreviver, sem luxo, sem requinte, sem floreios, sem subterfúgios, sem maquiagem. Não há discriminação quanto a nada, pois todos estão no mesmo barco.
Também ali, na caverna, era lugar de profunda aprendizagem espiritual. Chegara o momento de Deus falar coisas sérias a Davi, exigir-lhe obediência e submissão. Na caverna é lugar de "conversa de homem para homem". Aquelas conversas difíceis, onde derramamos nossa alma diante de Deus, questionando os fatos, o mal, a angústia.
Davi precisava ouvir o Senhor falar, orientá-lo quanto a que rumo tomar. Quando estamos por baixo, endividados, angustiados, e às vezes até sem força para orar, tornamo-nos sensíveis ao Senhor e à sua voz. O quebrantamento vem com a dor. Há revelações profundas de Deus a nós quando estamos refugiados na caverna de Adulão. Jacó vive seu Peniel, vendo Deus face a face, ficando ele só, no vau de Jaboque. Ele vivia um momento de grande apreensão com a aproximação de Esaú que procurava matá-lo, e no pior momento, Deus se revelou, mudando-lhe o nome e o livrando.
A igreja precisa ser uma Caverna de Adulão! Um lugar receptivo, sem preconceitos e rico em aprendizagem. Não há vergonha em passar por períodos de tribulação. Mas é preciso aprender o que Deus quer nos ensinar para que a experiência valha a pena.

By Pr. Orlando Silva Filho
https://www.facebook.com/tabernaculovivo